Pesquisa revela situação do magistério municipal em tempos de pandemia

O Sindiserv, realizou uma pesquisa entre os docentes da rede municipal de ensino, por meio de um questionário de 24 perguntas,  entre os dias 28 de agosto e 30 setembro. Contribuíram com as respostas 510 profissionais da rede, sendo que a análise das respostas revela muito sobre a necessidade de treinamento dos professores e como se sentem em relação ao momento atual. Para a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, este levantamento apresenta uma ideia de como está atuando o magistério municipal em tempos de pandemia. “Agradecemos muito a disponibilidade das professoras e professores que participaram e queremos ressaltar o alto grau de qualificação, além da rápida adaptação diante do desafio de apresentar os estudos monitorados. Isso demonstra o compromisso com a profissão, mesmo com o desgaste físico e mental ao qual estão submetidas”, destaca.

Idades

Responderam ao questionário profissionais das mais diversas faixas etárias, com idades entre 23 e 65 anos.

Gênero

92% das respostas são de profissionais do sexo feminino e 8% do sexo masculino.

Formação

Conforme as respostas apresentadas, percebe-se o alto grau de instrução dos professores da rede, sendo que 0,8% possui magistério apenas, 13,1% graduação, 78,5% pós-graduação e 13,1% têm o título de mestre (mestrado).

Área de atuação

De acordo com as respostas, 58,5% dos professores atuam na área I (pré-escola até o 4º ano) e 54,5% na área II (do 5º ao 9º ano). Um percentual de 3% atua nas duas áreas.

Experiência em aulas não presenciais

Quando questionados se possuíam experiência em aulas não presenciais anterior à pandemia, 14,9% dos voluntários afirmou que sim e 85,1% informou não ter experiência.

Uso de tecnologias

Sobre o uso de tecnologias digitais a maioria, 55,8% afirmou lidar bem com equipamentos e softwares, 41,3% informou que utiliza com dificuldades e 3,9% assinalou que possui muita dificuldade.

Recursos

Sobre a disponibilidade de recursos (materiais e equipamentos), 78,9% afirmou ter recursos à disposição e 21,1% disse não ter materiais e equipamentos.

Capacitação

Sobre a forma como buscam informações e dicas para os trabalhos online, a maioria disse optar por tutoriais da Internet, com 47,4% das respostas. Na outra ponta, porém, 34,6% disse não participar de nenhum tipo de treinamento, e apenas 7,3% disse estar fazendo capacitações por meio da escola.

Equipamentos (múltipla escolha)

Entre os equipamentos utilizados, o maior número afirmou utilizar notebooks (97,8%), celular (83,9%), webcam (36,9%), microfone (31,6%) e câmara fotográfica (18,3%).

Internet

Sobre o tipo de Internet utilizada, 64% utiliza Internet de banda larga, 27,7% usa fibra ótica e 8,3% dispõe de plano de dados móveis.

Tempo para preparação das aulas

94,1% relata que o tempo aumentou, 4,5% diz que o tempo para preparação das aulas é o mesmo e 1,4% afirma que o tempo gasto reduziu.

Atividades realizadas durante o período de interrupção das aulas presenciais (múltipla escolha)

Sobre as atividades que estão sendo desempenhadas no período,  75% relata participar de reuniões com gestores da escola, 73,2% também participa de reuniões com a coordenação pedagógica, 57% mantém reuniões regulares com colegas, 46,7% produz vídeo aulas, 90,9% elabora atividades para serem enviadas aos estudantes, 43,3% utiliza o livro didático, 74,6% faz correções e leitura dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes e 32,1% faz aulas ao vivo.

Suporte

Sobre o suporte oferecido pela escola/SMED,  58,6% utiliza materiais impressos, 50,8% dispõe de apoio pedagógico, 31,8% dos profissionais relataram utilizar a plataforma de ensino disponibilizada pela SMED, 12,7% utiliza aulas por vídeo, 16,2% aproveita aulas pelas redes sociais e canais do Youtube e 9,4% não recebe/utiliza nenhum tipo de suporte.

Atendimento especializado

83,8% dos profissionais relataram ter em suas turmas estudantes que necessitam de atendimento especializado, sendo que 82%,5 diz receber apoio para preparação de atividades específicas para estes alunos.

Atividades

Sobre como está desenvolvendo as atividades, 14,3% disse estar mantendo o planejamento (unidades temáticas, objetos de conhecimento, habilidades) estipulado antes do início da quarentena, mesmo com estudos monitorados,  64,8% está adaptando o conteúdo previsto em atividades que eles consigam desenvolver com autonomia e o mínimo de apoio e 14,3% segue o plano da SMED.

Devolução de materiais pelas famílias/estudantes

43,7% dos professores afirma que as famílias estão entregando mais de 50% das atividades enviadas, 27,6% que estão entregando em parte, cerca de 50% das atividades e 22% que estão entregando todas as atividades. (existem variações nas respostas)

Falta de acesso

Sobre os alunos que não entregam as atividades ou não se relacionam com a escola: 36% acredita que o afastamento é causado porque as famílias não conseguem ajudar os estudantes,  28% não têm autonomia para realizar as atividades sem apoio, 23,2% não estão motivados e 12,7% não têm acesso à Internet.

Sentimento em relação ao trabalho (múltipla escolha)

Os sentimentos mais recorrentes neste período de pandemia entre os profissionais são:  angústia, 39,3%. Medo, por não saber como será o retorno, 30,4%. Apreensão em relação a perda de direitos, 12,2% .Insegurança financeira 2,2%.Solidão, em relação ao isolamento social, 2,2%.Tranquilidade, pois tudo isso vai passar e a normalidade será retomada 13,8%.

Em caso de retorno presencial, como se sentem

61,2 sente medo de se contaminar no ambiente escolar, 53,9% relata medo de que os protocolos não sejam seguidos e de não ter os EPIs necessários e 4,3% se sente tranquilidade porque entende que na escola terá os EPIs necessários e toda comunidade escolar seguirá os protocolos indicados.

Grupo de Risco

71% das pessoas que responderam a pesquisa não se enquadram no grupo de risco para o novo coronavírus e 29% diz que está entre o grupo de risco para desenvolvimento da doença de forma severa.

 

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