E você? Acredita em tudo que vê?

A terceira edição do Cine Debate de 2018 com a exibição do longa-metragem, “O Quarto Poder” (dirigido por Costa-Gravas, lançado em 1997),  na noite desta quinta-feira (12/07), trouxe à tona questões éticas e a manipulação social por meio da imprensa.

Após a apresentação do filme, os debatedores convidados,  Branca Sólio (Jornalista, PHD. em Comunicação) e Ramon Tissot (Doutor em História), mediados pela diretora de formação do Sindicato, Roselaine Frigeri, realizaram um comparativo entre os personagens da trama, os dramas sociais, a marginalização da classe trabalhadora, a volubilidade da população e, principalmente o envolvimento da imprensa na formação da opinião pública.

“Percebemos claramente o circo formado pelas emissoras e jornalistas, o poder e a fama e como a população que ora defende, ora condena conforme o ponto de vista apresentado”, destaca Branca.

A história relata a saga de ex-segurança de museu que retorna ao seu antigo local de trabalho, Sam Baily, interpretado por John Travolta, para tentar reaver seu emprego, por meio de uma conversa com sua ex-chefe Mrs. Banks (Blythe Danner). Para isso, carrega na sacola uma espingarda e quilos de dinamite. Sam acaba por fazer reféns crianças de uma escola primária e um jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman).  O jornalista que foi estrela da emissora de televisão para a qual trabalha, caiu no ostracismo de uma filial do interior por se recusar a dar, ao vivo, detalhes escatológicos sobre um acidente que cobriu. Depois de ser dispensado de uma cobertura sobre corrupção, o repórter sai para uma rápida e inofensiva matéria sobre a falta de verbas do museu da cidade

“A notícia de corrupção que afeta grande parte da população é esquecida diante do teatro que envolve as crianças presas no museu. A ficção imita fatos cotidianos que vivenciamos, quando leis são aprovadas de forma desapercebida por uma sociedade distraída com tragédias que geram comoção pública”, observa Tissot.

A novata e volúvel operadora de câmera que acompanha Max, aos poucos cede ao poder e aprende rapidamente a sustentar o sensacionalismo. A boa reputação de Sam, que a princípio é defendido pela população, passa a ser rechaçada inclusive com depoimentos forjados pelas emissoras.

“Este filme é sempre atual, um ótimo exemplo de como a mídia cria movimentos na sociedade. Em tempos de “fake news”, de disseminação de notícias duvidosas, informações tendenciosas que apresentam apenas um lado dos fatos, geralmente o lado que interessa ao poder, podemos identificar facilmente os personagens em nossa sociedade, hoje”, salienta Branca.

A atividade é promovida pela diretoria de formação do Sindiserv, com apoio do Sinpro/Caxias, Sintep/Serra,  Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e CPERS.

X