Marcha da Classe Trabalhadora defende a redução da jornada e o fim da escala 6×1
Mobilização reuniu centenas de trabalhadores do setor público e privado na Capital gaúcha e reforçou a pressão sobre o Senado para aprovar a redução da jornada sem redução de salários
Centenas de trabalhadoras e trabalhadores participaram na manhã desta terça-feira, 30, da Marcha da Classe Trabalhadora, em Porto Alegre. Convocada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, CUT, Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a mobilização partiu da Rodoviária da Capital e percorreu diversas ruas do centro da cidade até o Palácio Piratini, onde se somou ao ato dos servidores públicos estaduais.
A manifestação reuniu representantes de sindicatos dos setores público e privado em torno de pautas comuns, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial, a valorização dos serviços públicos e a defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Para a presidenta do Sindiserv e integrante das diretorias da CUT/RS, Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) e Dieese, Silvana Piroli, o Congresso inimigo do povo não pode dar as costas para o povo brasileiro.
“Espero que nossos senadores ouçam a voz do povo trabalhador do Rio Grande do Brasil, principalmente das mulheres, que nós queremos vida além do trabalho, porque a vida não tem hora extra. E este é o momento de nós irmos às ruas, irmos às redes, falarmos com nossos familiares e discutirmos, levarmos adiante essa luta para pressionar o Congresso Nacional e o Senado para votar. Nós, mulheres, estamos na luta pela redução das jornadas de trabalho e pelo fim da escala 6×1“, disse.
Durante a marcha, o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, ressaltou a importância da unidade entre trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora e dos ataques aos serviços públicos.
Segundo ele, escolas, hospitais, serviços de segurança e diversas políticas públicas essenciais para a população dependem da valorização do serviço público e de seus trabalhadores. Ao mesmo tempo, alertou para o avanço das privatizações e da lógica de mercado sobre áreas fundamentais para a sociedade.
“Hoje é um dia de muita luta. Quando o setor público e o setor privado caminham juntos, estamos defendendo um país e um estado melhores. O serviço público é fundamental para a vida da população e não pode ser tratado como mercadoria”, reforçou.
Ao chegar ao Palácio Piratini, os participantes da marcha encontraram os servidores públicos estaduais que realizavam mobilização contra a política de privatizações e em defesa dos serviços públicos. A convergência dos dois atos reforçou a compreensão de que a luta por melhores condições de trabalho está diretamente ligada à defesa do patrimônio público e dos direitos sociais.
Fim da escala 6×1 ganha apoio da população
Uma das principais bandeiras da mobilização foi o fim da escala 6×1, modelo que obriga milhões de trabalhadores a laborarem seis dias para ter apenas um de descanso. Para as entidades sindicais, esse formato reduz a convivência familiar, amplia o desgaste físico e mental e dificulta o acesso ao lazer, à educação e à participação social.
O debate tem ganhado força em todo o país. Pesquisa Datafolha divulgada neste ano apontou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, enquanto apenas 27% são contrários à mudança. O levantamento demonstra o crescimento do apoio popular à pauta, impulsionada pela mobilização de trabalhadores e movimentos sociais.
Outro estudo, realizado pela Genial/Quaest, mostrou que 68% da população é favorável à redução da jornada de trabalho, reforçando que a reivindicação já extrapolou o movimento sindical e passou a contar com amplo respaldo da sociedade.
Pressão sobre o Senado
Os participantes da marcha também cobraram do Senado Federal o avanço das propostas que tratam da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Para as entidades organizadoras, a pauta representa uma demanda urgente da classe trabalhadora brasileira e uma oportunidade de modernizar as relações de trabalho no país.
Ao final do ato, a avaliação das centrais sindicais foi de que a mobilização demonstrou a força da unidade entre trabalhadores do setor público e privado e reforçou a disposição da classe trabalhadora de seguir pressionando por mais direitos, melhores condições de vida e valorização do trabalho.
*Com informações da CUT-RS

Rui Miguel, vice-presidente do Sindiserv também esteve presente





