Que rumo terá a EDUCAÇÃO?

O professor, doutor em educação e pesquisador, Gaudêncio Frigotto, esteve em Caxias do Sul, no auditório do Sindiserv, dia 31 de agosto, para o segundo encontro do ciclo de debates “Rumos da Educação”, uma iniciativa do Sindicato dos Servidores Municipais, CPERS e Sinpro. Com excelência, Frigotto correlacionou fatos, resgatou a história e apontou para um futuro sem perspectiva. Mas, a união entre as classes pode mudar isso.

Professor é o último reduto de um jovem
Um dos momentos mais intensos da palestra foi a fala sobre a influencia do professor na formação de jovens. Não raro, as profissões são escolhidas conforme o estímulo do potencial que é promovido pelo professor, mas o seu papel vai muito além disso. “O último reduto de um jovem que está em uma enrascada, como uso de drogas, por exemplo é o professor. Todo aluno se identifica com um professor e muitas vezes precisamos enxergar que ele quer mais que uma aula de física ou matemática. É uma das funções mais grandiosas do educador”, afirma.
Para Frigotto, a educação é base. É capaz de capacitar um jovem a ter um olhar crítico e entender as ciências que envolvem os processos produtivos. O professor é um sujeito que se prepara para ler a realidade.

Contrarreforma do ensino médio
Nao há lugar para todos, você deve busca as competências que o mercado exige”, destaca Frigotto sobre o que chama de “contrarreforma do ensino médio”. Para ele é a prova mais cabal do desmanche do trabalho do docente na educação pública. “Estava em Santa Catarina há duas semanas e um jovem professor relatou que atua em uma escola gerida pelo Instituto Ayrton Senna, responsável pela linha pedagógica e o conteúdos e, em três anos, os alunos terão apenas aula de matemática, língua portuguesa e inglês e as demais disciplinas serão diluídas”, relata.
Passa a ser permitida às prefeituras a contratação de professores com “notório saber”, dispensando a obrigatoriedade do diploma. A Base Nacional Comum Curricular  também sofreu um golpe, as disciplinas como sociologia, filosofia, artes e educação física não são mais obrigatórias.

Futuro interditado
O educador entende que  os estudantes são muito jovens para uma escolha que vai definir o restante da sua vida acadêmica: 40% daqueles que hoje que entram em uma universidade desistem do curso que escolheram no primeiro ano. “Você vai mandar um jovem escolher com 14, 15 anos? Quem vai educar essa escolha? São 5.574 municípios no Brasil, sendo que grande parte tem apenas uma escola de ensino médio. O aluno vai poder fazer quantas opções? Na verdade o governo está interditando o caminho à universidade, porque esse aluno não terá instrumentos para ingressar.

Onde estão os investimentos?
Sobre os investimentos, o especialista acredita que estamos vivenciando o maior retrocesso dos últimos 70 anos ou mais. Por duas razões. Uma que diz respeito à Emenda Constitucional 95, que visa exatamente não fazer mais nenhum investimento além de repor a inflação em toda a esfera pública por 20 anos. “E a gente vê que nesses dois anos as áreas mais atingidas foram a educação e saúde. Até 2020 não haverá mais nenhum concurso público na esfera federal. Este mês, por exemplo, não houve inflação, um dado mascarado pois o aumento dos combustíveis pode ser percebido a todo instante”, assinala.

Escola sem Partido
Conforme o professor, a Escola sem Partido plantou o ódio entre pai, professor, aluno e entre os colegas de trabalho. “A proposta diz que se deve “ensinar” mas não “educar”, também chamada a pedagogia do silêncio e do medo. Na idade em que o aluno aprende a contestar e a enxergar a realidade, é direcionado ao ensino técnico, sem direito à manifestação. No fundo, se está dizendo que o professor é um entregador de conhecimento e quem vai preparar esse conhecimento são os institutos reunidos em torno de movimentos como o Todos pela Educação da Unesco, que reúne 14 grupos financeiros, bancos, empresas industriais e 18 institutos privados que querem usufruir o fundo público e dirigir a escola, a educação, no seu conteúdo e na forma de educar”, explica.

Só com a união das classes
Frigotto salienta que a não aprovação da reforma da Previdência deve-se ao fato de que o povo entendeu que morreria antes de se aposentar. “A maior parte das pessoas vai pagar e não vai usufruir. Esse é um sinal de que quando as classes populares percebem o efeito dessas medidas elas se contrapõem e criam forças para resistir. O grande problema nosso é a barreira da mídia monopolizada. Se a gente explicasse bem o significado da reforma da Previdência, reforma trabalhista, até pelo bom senso, as pessoas iriam se organizar”, reforça. O caminho apontado pelo professor seria barrar as contrarreformas antes que o país entre em uma convulsão social.

A última palestra do ciclo ocorrerá dia 19 de outubro. A professora Helenir do CPERS falará sobre o trabalho d@s professor@s nos dias atuais. O evento é gratuito para os associados, para não sócios haverá o custo de R$ 40,oo cada palestra. As Inscrições podem ser feitas pelo telefone (54) 3228-116o ou diretamente no Sindicato.

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