Sindiserv cobra medidas urgentes para educação inclusiva em Caxias do Sul

 Sindiserv cobra medidas urgentes para educação inclusiva em Caxias do Sul

O Sindiserv entregou, na tarde desta quinta-feira, 2, dois ofícios à SMED apontando problemas considerados críticos no atendimento a estudantes da Educação Especial e no serviço de cuidadoria educacional na rede pública municipal. O ato ocorreu durante reunião entre a Secretária Municipal da Educação, Marta Fattori, técnicos da pasta e representantes do sindicato.

Entre as principais preocupações está a redução e fragmentação do Atendimento Educacional Especializado (AEE), prática que, segundo o sindicato, compromete o planejamento pedagógico e a continuidade do acompanhamento dos alunos. O documento destaca que o número de estudantes público da Educação Especial cresce continuamente, exigindo ampliação, e não redução, da estrutura disponível.

Conforme a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, a educação municipal é uma das melhores e o objetivo é fazer com que ela continue avançando e seja cada vez melhor. “Apontamos a necessidade de que se amplie a cuidadoria, que todas as crianças possam ter o atendimento especializado, para que se organizem fluxos de trabalho, onde se leve em conta a realidade de cada escola e também a autonomia de cada escola. Entregamos uma série de sugestões e problemas e consideramos que a Secretaria tem que olhar para a realidade da rede municipal buscando ouvir, construir juntos e resolver problemas que são fundamentais para que a professora da sala de aula possa desenvolver bem o seu trabalho. Todos nós achamos que a inclusão é importante, nós precisamos que todos se sintam incluídos. O professor da sala de aula também precisa ser incluído no debate de uma educação pública de qualidade“, reforçou.

Outro ponto levantado, conforme a Diretora de Educação do Sindiserv, Silvia Betamin de Souza, que também participou da reunião, é a demora nas avaliações realizadas pela equipe multidisciplinar para concessão de cuidadores educacionais. De acordo com o Sindiserv, a lentidão no processo gera prejuízos diretos aos estudantes, que permanecem sem o suporte necessário por longos períodos, configurando, na avaliação da entidade, negação de direitos.

Silvia lembra ainda, que o documento assinado pelo sindicato critica o modelo atual de cuidadoria, prestado por empresa terceirizada, apontando falta de profissionais e regras que dificultam o remanejamento dos cuidadores. Situações como a impossibilidade de redistribuir profissionais quando há ausência de alunos ou saídas antecipadas são citadas como exemplos de ineficiência na gestão do serviço.

Os documentos entregues nesta quinta apontam também a sobrecarga de professores, que acabam assumindo funções de cuidado, e questionam a forma de implementação de instrumentos como o Plano Educacional Individualizado (PEI) e o Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE), considerados excessivamente burocráticos diante das condições reais de trabalho.

Por fim, Silvana reforça que o Sindiserv também defende a criação de protocolos claros para administração de medicamentos nas escolas, ampliação das equipes, melhor distribuição dos alunos nas turmas e reorganização dos fluxos de avaliação. E, ao final, o sindicato solicita retorno detalhado da SMED e propõe a abertura de diálogo para construção de soluções com prazos e responsabilidades definidos, reforçando que a efetivação da educação inclusiva depende de condições concretas de trabalho e estrutura adequada nas escolas.

 

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