Feedbacks construtivos podem aumentar a saúde mental do servidor

 Feedbacks construtivos podem aumentar a saúde mental do servidor

A implantação do Núcleo de Acompanhamento Psicossocial da Educação (NAPS) no segundo semestre de 2025 foi comemorado pela categoria. A ativação do programa é um passo importante na caminhada pela valorização dos profissionais da educação e dos servidores de Caxias do Sul. Pensando nisso, o Correntinho conversou com a equipe psicossocial do NAPS Educação sobre a saúde mental dos servidores caxienses. A psicóloga Thays Gonem respondeu aos nossos questionamentos.

1. De que forma as condições de trabalho – como carga horária, metas, pressão por produtividade e falta de pessoal – impactam a saúde mental dos servidores públicos e a qualidade do serviço prestado?

Thays Gonem: O trabalho pode ser fonte de prazer ou sofrimento psíquico, dependendo das condições em que é realizado. Quando há grandes exigências, mas recursos incompatíveis com tais exigências, ocorre um processo de desgaste psíquico. O trabalho prescrito, ou seja, o que está nas normas e metas institucionais, deve ser compatível com o trabalho real, com o que realmente é possível fazer na prática. Sobrecarga, pressão, banalização dos problemas e conformismo organizacional tendem a gerar alienação, perda de sentido do trabalho e distanciamento emocional do trabalhador, o que pode culminar em quadros de ansiedade, estresse crônico, exaustão emocional e burnout. Quanto à qualidade do serviço prestado, podemos afirmar que quando há sobrecarga, o foco tende a se deslocar da qualidade para a quantidade, gerando rapidez às custas de um trabalho menos cuidadoso, com aumento de falhas, atrasos, retrabalho e tomada de decisões pouco assertivas.

2. Quais políticas e práticas institucionais podem ser implementadas para prevenir o adoecimento mental no ambiente de trabalho e promover um espaço mais saudável e acolhedor para os trabalhadores?

Thays Gonem: Melhorar a organização do trabalho, implementar políticas e práticas institucionais estruturais, que valorizem a participação, o reconhecimento e o fortalecimento do coletivo é fundamental para preservar a saúde mental dos servidores. Feedbacks construtivos e frequentes da liderança, reconhecimento público das contribuições individuais e coletivas e avaliações de desempenho que considerem não apenas metas quantitativas, mas também a qualidade do trabalho e a cooperação promovem esse reconhecimento. Isso permite que o trabalhador atribua sentido ao seu esforço. Além disso, podemos pensar em iniciativas como a criação de espaços de fala e escuta sobre o trabalho, na contribuição dos trabalhadores nas decisões, em estratégias de fortalecimento do coletivo de trabalho, gestão saudável da carga e organização do trabalho, formação de lideranças sensíveis à saúde mental e em políticas institucionais contra assédio e violência.

3. Como o reconhecimento profissional, a participação nas decisões e as relações respeitosas no ambiente de trabalho influenciam o bem-estar psicológico e a motivação dos trabalhadores?

Thays Gonem: O trabalho não é apenas uma atividade produtiva, mas também um espaço de construção da identidade, da saúde mental e do sentido de vida. O reconhecimento é um dos pilares da saúde mental no trabalho, sendo que quando ele existe o trabalhador consegue transformar desafios inerentes ao trabalho em satisfação e orgulho profissional. A participação nas decisões relacionadas ao trabalho também é fundamental, pois participar delas fortalece o sentido de pertencimento, engajamento, criatividade e responsabilidade coletiva, bem como a percepção de controle sobre o próprio trabalho. Já as relações de respeito, cooperação e confiança fortalecem a solidariedade entre colegas e criam redes de apoio emocional que ajudam os trabalhadores a lidar com dificuldades do cotidiano de trabalho.

 

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