Artigo: Beneficiários das Desigualdades

*Por Cristiano Cardoso

Os brasileiros padecem ainda hoje as consequências de uma história marcada pelas desigualdades sociais, onde a maioria da população sofre com essas diferenças e uma minoria é beneficiária desta marca histórica. Muitos são os defensores dos direitos privados, do livre comércio e até do funcionamento do Estado, no caso, das isenções tributárias ou acesso ao crédito público.

A Reforma Política é mais do que necessária, é urgente, sendo fundamental um sistema eleitoral que priorize o processo democrático e acabe com a influência do poder econômico nas eleições. Dilma apontou para isto quando propôs um plebiscito pela Reforma Política em 2013, porém os grupos detentores do poder econômico, que atuam muitas vezes de forma corporativista, possuidores de uma influência gigantesca nos rumos da política nacional, apelidada por alguns parlamentares do Congresso Nacional de bancada BBB: da bala, do boi e da bíblia, derrubaram rapidamente a proposta.

O clientelismo também é uma cultura que deve ser banida do pensamento político nacional. Essa concepção de que a relação política deve ser a de sempre ganhar alguma coisa, numa visão imediatista e individualista, em nada contribui para a construção de soluções políticas coletivas. O vínculo entre propriedade, profissão e participação política, que perpetua até hoje, também contribui para um enfraquecimento brasileiro do ponto de vista das desigualdades políticas.

Importante reconhecer que alguns governos foram mais progressistas que outros, garantindo avanços para a classe trabalhadora, como os governos de Getúlio Vargas, JK, João Goulart, Lula e Dilma. Atualmente temos o governo autoritário de Messias Bolsonaro, que apresenta pautas de grandes retrocesso para a economia brasileira, principalmente para os mais pobres.

Existe uma forte persuasão ideológica para justificar essas diferenças na sociedade: as desigualdades são naturais, os culpados são os próprios oprimidos, a culpa é da sociedade, as desigualdades são importantes para os cristãos verdadeiros. Essas são algumas teorias utilizadas por quem está na macroestrutura de poder.

Ano que vem teremos mais um processo eleitoral onde as pessoas terão a oportunidade da participação democrática. A chance de melhorias está em sermos críticos e participativos. Assim, esperamos.

* Cientista Político, mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas – FLACSO/FPA.

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